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Lara Kraft estreia na Turismo 1.4 BR como a primeira mulher no grid da Temporada 2026

há 3 dias
6 min de leitura

A relação de Lara Kraft com o automobilismo começou ainda na infância. Aos quatro anos, ganhou o primeiro kart e iniciou em uma trajetória que, ao longo dos anos, tem transformado a paixão pela velocidade em um projeto de carreira. “Desde muito nova, as pistas se tornaram um lugar onde eu me sentia verdadeiramente realizada e onde aprendi valores que carrego comigo até hoje, como disciplina, dedicação e persistência”, conta.


Após conquistar um importante título no kart, o FIA Girls on Track, campeonato sul-americano organizado por Bia Figueiredo, pilota e presidente da Comissão Feminina de Automobilismo da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), Lara deu um importante passo na carreira, a transição para os carros de corrida, que teve início durante um teste da Copa Hyundai HB20.


Ao assumir o volante de um carro de competição, Lara percebeu que a paixão pelo automobilismo, presente desde a infância, poderia ir além de um hobby. A partir daquele momento, passou a traçar objetivos ainda maiores e a enxergar novas possibilidades para sua carreira no esporte a motor.  “Quando pilotei um carro de corrida pela primeira vez, tive a certeza de que queria transformar essa paixão em algo muito maior do que um sonho. Naquele momento, percebi que o automobilismo seria um dos grandes propósitos da minha vida. Hoje, cada vez que entro em um carro, carrego comigo aquela mesma menina que começou no kart, mas com objetivos cada vez maiores”, conta.


Construir uma carreira no automobilismo, no entanto, tem trazido desafios que ultrapassam os limites da pista. Em um esporte que exige investimento, Lara tem encontrado na busca por patrocinadores e parceiros uma das principais dificuldades para dar continuidade à sua trajetória e seguir investindo em seu desenvolvimento como pilota. “As minhas principais dificuldades para chegar até aqui estiveram relacionadas às questões financeiras. Por estar em um esporte de alto custo, o apoio de patrocinadores é essencial para que eu consiga continuar competindo, treinando e evoluindo como pilota. Ao longo da minha trajetória, entendi que construir uma carreira no automobilismo vai muito além do desempenho dentro das pistas. É preciso buscar oportunidades, apresentar projetos, conquistar a confiança de empresas e construir parcerias que acreditem não apenas nos resultados, mas também no propósito por trás da minha carreira. Esse desafio tem me feito amadurecer e valorizar ainda mais cada pessoa e cada marca que escolhe fazer parte da minha trajetória”, explica.


Ao longo dessa jornada, Lara também enfrentou os desafios de construir uma carreira em um ambiente historicamente marcado pela presença majoritariamente masculina. Para a pilota, essa experiência se tornou uma motivação a mais para seguir evoluindo e conquistando seu espaço nas pistas. “Em alguns momentos percebi que, por ser mulher em um ambiente ainda predominantemente masculino, muitas pessoas duvidaram da minha capacidade simplesmente pelo fato de eu ser mulher. Porém, isso nunca me afetou de forma negativa. Desde o início, sempre procurei manter o foco no meu trabalho, na minha evolução e no que eu poderia entregar dentro da pista. Na verdade, saber que estou conquistando meu espaço e quebrando barreiras me traz ainda mais motivação. Prefiro transformar qualquer dúvida ou preconceito em combustível para continuar evoluindo e mostrar, por meio dos meus resultados, que competência, dedicação e velocidade não têm gênero”, afirma.


Mesmo diante dos desafios, Lara tem encontrado no amor que sente pelo automobilismo e no apoio que recebe das pessoas ao seu redor, um importante incentivo para seguir construindo sua trajetória nos circuitos mais desafiadores do país. “A minha maior motivação, sem dúvidas, é a paixão que sinto pelo automobilismo. É ela que me faz querer evoluir todos os dias e continuar lutando pelos meus objetivos, mesmo diante das dificuldades. Também me motiva muito lembrar de todas as pessoas que acreditaram em mim, me apoiaram e lutaram ao meu lado para que hoje eu pudesse estar conquistando tudo isso. Cada oportunidade que recebo carrega um pouco do esforço de todas essas pessoas, e isso me dá ainda mais vontade de fazer tudo valer a pena. Além disso, ser mulher dentro do automobilismo me traz a motivação e o dever de lutar para que cada vez mais mulheres tenham espaço, oportunidades e sejam reconhecidas pelo seu talento dentro desse meio. Saber que a minha história pode, de alguma forma, abrir caminhos e inspirar outras meninas a acreditarem que também podem estar nas pistas é uma das coisas que mais me motiva a continuar”, diz.


Com uma trajetória marcada pela dedicação e pela superação de desafios, Lara se prepara agora para um novo capítulo em sua carreira. No dia 19 de setembro, a pilota fará sua estreia na 5ª etapa do Campeonato Brasileiro de Turismo 1.4, a convite de Daniel Demayo. Juntos, eles formarão a dupla que substituirá o piloto Silas Passos na etapa que acontecerá em Curvelo, Minas Gerais.

“A oportunidade de ingressar na Turismo 1.4 BR veio da minha dupla que correrá comigo, Daniel Demayo. Sou muito grata a ele e a 200 DEV por acreditarem em mim e no meu potencial. O que mais me chamou a atenção foi a oportunidade de participar de uma das maiores categorias de tração dianteira do Brasil. Estar em um grid tão competitivo, com pilotos experientes e um nível técnico tão alto, representa para mim uma grande oportunidade de aprendizado e evolução. Quando surgiu o convite para fazer parte do grid na 5ª etapa, enxerguei como uma chance de sair da minha zona de conforto, me adaptar a um novo cenário e colocar à prova tudo o que venho desenvolvendo ao longo da temporada. Quero aproveitar cada momento dessa experiência, me adaptar ao carro e à categoria, aprender o máximo possível e, claro, buscar um bom desempenho dentro da pista”, revela.


A estreia também será marcada por um feito inédito na temporada, Lara será a primeira mulher a integrar o grid da Turismo 1.4 BR em 2026. Diante do desafio de se adaptar a um novo carro e competir ao lado de pilotos experientes, ela encara a oportunidade como um importante passo em seu desenvolvimento e na construção de sua carreira nas pistas.


Para Lara, ocupar esse espaço também carrega um significado especial. Além de representar um novo capítulo em sua carreira, a estreia traz a oportunidade de contribuir para ampliar a presença feminina no automobilismo e inspirar outras mulheres a encontrarem seu espaço nas pistas. “Viver um esporte tão intenso e desafiador, na verdade, me dá ainda mais força para lutar por tudo aquilo que sei que sou capaz de conquistar. Cada dificuldade, cada erro e cada desafio se tornam uma motivação para continuar evoluindo e buscando o meu espaço. E, principalmente como mulher, existe um significado ainda maior em tudo isso. Me sinto muito feliz em saber que, a cada vez que entro na pista, estou também ajudando a quebrar barreiras em um ambiente que, por muitos anos, foi predominantemente masculino. Quero mostrar que talento, dedicação e velocidade não têm gênero e, acima de tudo, contribuir para que cada vez mais meninas sintam que esse espaço também pertence a elas”, conta.


Questionada sobre o que os fãs de velocidade podem esperar de sua estreia em uma das categorias mais competitivas do país, Lara destaca a determinação e a estratégia com que pretende encarar o novo desafio. “Podem esperar muita determinação, competitividade e, principalmente, inteligência dentro da pista. Sei que a Turismo 1.4 BR tem disputas muito acirradas, mas, como vou dividir o carro, também preciso pilotar com cabeça, sabendo escolher os momentos certos para atacar e evitando riscos desnecessários que possam comprometer a corrida do meu companheiro de equipe. Quando as luzes se apagarem, quero entregar o meu melhor”, afirma.


Além dos objetivos para a estreia na categoria, Lara espera que sua participação também possa contribuir para que outras mulheres enxerguem no automobilismo um espaço de oportunidades. Ao deixar uma mensagem para as meninas que sonham em construir uma carreira no esporte, a pilota reforça o desejo de ver cada vez mais mulheres ocupando diferentes funções dentro e fora das pistas.


“O automobilismo ainda é um ambiente predominantemente masculino, mas isso não significa que nós, mulheres, não podemos ocupar o grid, competir de igual para igual e conquistar grandes resultados. E isso vai muito além de estar atrás do volante. Seja como pilota, mecânica, engenheira, telemetrista ou em qualquer outra função dentro do automobilismo, quero que cada menina saiba que existe um lugar para ela nesse meio. Sei que o caminho pode ser difícil e que muitas vezes será necessário quebrar barreiras, mas quero que cada menina que sonha com as pistas saiba que é possível. Uma das coisas que mais me motiva na minha carreira é saber que, a cada passo que dou, posso ajudar a abrir um pouco mais esse caminho para as próximas mulheres que virão. Quero que, no futuro, ver uma mulher no grid deixe de ser uma exceção e se torne algo completamente natural”, finaliza.





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